O Amigo Ideal
Sentimentos desencontrados se entrechocam nas
tuas paisagens íntimas. Em certos momentos,
estás a ponto de explodir, tal a soma de desespero
que te desgoverna, e, noutras ocasiões, pensas
em parar, em desistir de tudo, tal o acúmulo de
sofrimentos que te conduzem à exaustão.
Gostarias de encontar um amigo paciente e esclarecido,
com quem pudesses desabafar, deixar que todas
as tuas inquietações desfilassem,
encontrando compreensão e diretrizes.
Sentes necessidade de novos afetos, como se
fossem bálsamo salutar para o teu coração
ralado de suspeição e tormentos.
Vê outras criaturas, sorridentes e felizes, que
desfilam, dando a impressão de que a vida
delas é um agradável convescote ou
um carnaval permanente.
Como, porém, estás equivocado! A existência
carnal é igual para todos os que se encontram
na Terra, variando a circunstância e a
intensidade das ocorrências para cada homem.
Corrige, desse modo, a tua óptica e
cuida mais do teu critério de avaliação.
A aparência é a capa luminosa
ou sombria que oculta a realidade.
Quem te veja e desconheça o que se passa
em teu foro íntimo, se não te queixares, terá a
impressão de que vives bem aquinhoado pela
felicidade, enriquecido pelos favores do prazer...
Tu, porém, sabes que não é bem assim, o
que se passa contigo, da mesma forma que não é,
quanto supões, tão áspera e desditosa a tua marcha.
Se reflexionares melhor, constatarás que o número
de bênçãos suplanta os teus questionamentos queixosos.
Relaciona o que possuis e quanto te favorece,
em referência a outros que não dispõem
desses valores e conquistas.
Ninguém, no mundo físico, pode desfrutar de
tudo quanto gostaria, pois que se o conseguisse
já fruiria do " reino dos céus" que, afinal
de contas, não tem lugar na esfera física.
Este amigo, que exibe felicidade e paira na
opulência, invejado e cercado de carinho,
atormenta-se, intimamente insatisfeiro com a
vida, sentindo- se obrigado a manter a
aparência, escondendo-se, magorado.
Essa dama, que se apresenta adornada de jóias
finas e caras, requestada por uns e por
outros invejada, disfarça, nos sorrisos, pesadas
frustrações conjugais que ninguém imagina.
Aquele jovem, bem apessoado, que conquista o
futuro com audácia, envolvido num halo de triunfo,
iridescente como uma estrtela e conquistador
como a luz, amarga-se, nas horas distantes do
briblicom vencido por conflitos desconhecidos de todos.
A moça, que passa deslumbrante, vendendo
beleza e juventude, qual se fosse uma deusa
renascida das páginas mitológicas, desprezando
candidatos ou entregando-se a dissipaçoes absurdas,
aturde-se em confuso estado de timidez,
que a desconcerta e vence.
A legião dos infelizes-infelicidtados cresce,
diariamente, e as estatísticas são assustaduras,
especialmente nas áreas das patologias da
loucura, do vício, das fugas espetaculares.
Há muita ilusão e sonhos tornados
pesadelos do que imaginas.
A visão azul do corsmo não é real...
A Terra é educandário e não jardim edênico.
Da mesma forma que anelas por aquele amigo
que te pudesse ajudar na solução das tuas
dificuldades, alguém te observa, supondo que o és
para as necessidades dele. Mesmo que não o
sejas, esforça-te, passa a doar, a socorrer.
Começa, mediante pequenas tarefas
gratificantes do amor fraterno.
Assume singelos deveres; gera alegria em tua
volta; produze bem- estar; pensa em
alguém com simpatia; supera o azedume...
Tentativas de renovação culminam em
conquistas, em realizações edificantes.
Assim fazendo, tua mente abrirá espaço para
ouvir a orientação anelada, e os sentimentos
renovados propiciarão a tua sintonia com o
amigo Ideal, que é Jesus, que espera somente
Lhe concedas o ensejo de ajudar-te e
conceder-te a alegria que buscas.

Livro: Momentos de Coragem
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco
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