História De Caxias Do Sul 1964-1970 |
Rendeu mais que o esperado a discussão da semana passada, pela qual arrolei expressões e expressões de emprego exclusivo, ou quase, na casa onde me elaborei. Não menos escorubiúdo, e igualmente não dicionarizado, é um substantivo de que o avô materno do primo Ruy se valia para requisitar que se estancasse uma corrente de vento: “Fecha essa sucarra!
”. Clique nste artigo -humorado, minha tia-avó Gilda dava significado típico à expressão “lira” pra adjetivar pessoa ou utensílio de mau gosto: “Fulana é muito lira”, tange o primo Alvaro à guisa de exemplificação. Na minha família, como em tantas algumas, havia palavras portadoras de intrigantes deformações. Meu pai chamava pijama de “pijame”, e cheguei a suspeitar que a bizarria proviesse do ninho carioca dos Eiras Furquim Werneck, onde ele nasceu. No clã paulista dos Sardenberg, a que pertence meu companheiro Izalco, a herança da avó paterna incluiu termo elaborado na dona Leomênia pra nomear gente grosseira, sem classe, mal-educada: “retubefá”.
Mais há pouco tempo, a família incorporou outra expressiva esquisitice, o “escapanu”, aplicável, com alguma coisa próximo do desapreço, a um fulano qualquer: “Quem é esse escapanu? ”, querem saber os Sardenberg. Poeta que poucos agora puderam ler, o Izalco se encantou mais com a palavra do que com o motivo, e se pergunta se no “u” fim não haveria um laivo de idioma romeno.
De Mariana, Minas Gerais, o Danilo Gomes levou pra Brasília o termo “reculuta” - corruptela, explica, de “recruta”, jovem soldado cujo apetite vertiginoso inspirou o apelido de todo aquele, militar ou não, que dê conta de um pratão de comida. É também de Mariana, informa o Danilo, certa maneira - piedosa ou maligna? ”. Este site da expressão? Um tal Juanico, famoso na cidade na mania de trancafiar-se.
Quanto ao carioca http://pixabay.com/en/new-zealand-waterfall-nature-negocios/ , que desfrutou de infância em Cachoeiro de Itapemirim, trouxe de lá o verbo “esburrar”, sacado, na maior parte das vezes, pra expor do leite fervente que transborda no fogão. O transbordante saber de Antonio Carlos, de que este cronista tem sido beneficiário, é prova de que “esburrar” admite sentido figurado. Dona de linguagem criativa, talento que teria feito dela uma escritora, minha mãe entortava frases sem superior cerimônia. http://blogspramaisgames92.qowap.com/18997521/vieram-de-uma-fam-lia-de-empreendedores ortográfico.
Em sua prosa, que infelizmente não baixou ao papel, “rebordosa” era “rebordose”, e o substantivo “tendepá” - disputa, rixa, desarrumação - ganhava involuntário acento afrancesado como “tandepá”. Era mestra, a dona Wanda, pela formação de expressões. E dada, assim como, a injetar sentido novo em vocábulos já dicionarizados. “Embondo”, que no Houaiss é “aquilo que dificulta, que embaraça”, ou “estorvo, impedimento”, virava sinônimo de conversa mole pra enrolar o próximo.
Embondar era o que fazia eu, na tentativa de esclarecer meus recorrentes malfeitos, escolares ou não. Coisa molenga, de má particularidade, ganhava de minha mãe o rótulo “ribimba”. Nada a ver de perto - fui checar - com o verbo “rebimbar”, como faz um sino em momento de excitação. http://superblogcomjogoz5.iktogo.com/post/undergra...ate-qual-a-diferena-entre-eles família da mamãe, mineira a mais não poder, usava-se linguagem tão elíptica quanto enviesada, o que impunha ao interlocutor o serviço de ler bem como - ou essencialmente - os silêncios.
Entre os Avelar Azeredo Coutinho da antiga geração, não se dizia que uma pessoa estava bêbado ou de porre, e sim “na losna” - embora, desconfio, http://www.encyclopedia.com/searchresults.aspx?q=negocios soubessem que a palavra designa poderosa beberagem alcoólica, o absinto. Tampouco se dizia que uma pessoa era homossexual. Naquela fortaleza da discrição e da virtude cristã, não convinha ceder nome aos bois - e menos ainda aos mamíferos ruminantes da família dos cervídeos providos de cornos ramificados.
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